Por
Pietra Savian
12/06/2026
Em algum momento, você provavelmente já saiu de uma conversa com a sensação de:
"Não foi isso que eu quis dizer..."
No ambiente corporativo, a comunicação acontece o tempo todo. Em reuniões, mensagens rápidas, alinhamentos, feedbacks e interações do dia a dia. Ainda assim, mesmo com boas intenções, nem sempre o que comunicamos é exatamente o que o outro compreende.
Essa é uma reflexão importante para qualquer organização que busca fortalecer uma cultura de diversidade e inclusão: entender a diferença entre intenção e impacto.
Por que a comunicação gera interpretações diferentes?
Existe um ponto importante da Psicologia que ajuda a explicar esse fenômeno: cada pessoa interpreta o mundo a partir da própria história.
De acordo com estudos sobre tomada de decisão e cognição, como os conduzidos por Daniel Kahneman, grande parte das nossas interpretações acontece de forma automática, influenciada por experiências, repertórios e percepções individuais.
Na prática, isso significa que:
A comunicação não é neutra;
As mensagens passam por filtros pessoais;
Diferentes pessoas podem atribuir significados distintos à mesma fala.
Reconhecer essa dinâmica não é um problema. Pelo contrário: é um passo importante para construir relações mais conscientes e uma comunicação mais inclusiva.
Diversidade e inclusão: qual o papel da comunicação nas relações?
Em um ambiente diverso, essa dinâmica se torna ainda mais evidente. Pessoas com diferentes trajetórias, referências e formas de pensar ampliam o repertório coletivo, fortalecendo a inovação e a qualidade das decisões.
Como destaca Scott E. Page, diversidade não é apenas uma pauta social, mas também um diferencial estratégico para organizações que desejam evoluir continuamente.
Ao mesmo tempo, essa pluralidade exige mais atenção à forma como nos comunicamos. Porque inclusão não se resume à presença de diferentes perfis.
Ela se concretiza na qualidade das interações, na escuta ativa e no respeito às diferentes percepções.
Como desenvolver uma comunicação inclusiva na prática?
Aqui, entendemos que comunicação não é algo implícito. É uma competência que precisa ser desenvolvida continuamente.
Por isso, incentivamos uma cultura em que o diálogo é valorizado, o feedback é construído com responsabilidade e a escuta ativa faz parte das relações.
Iniciativas como o Ressignifica (nosso comitê interno de diversidade e inclusão) reforçam esse compromisso ao abrir espaços reais de troca e reflexão sobre temas presentes no dia a dia.
Da mesma forma, nossas ações como o Projeto de Feedback, o Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL) e iniciativas contínuas de formação e desenvolvimento demonstram que a comunicação é tratada como uma competência essencial para a construção de um ambiente mais inclusivo, colaborativo e conectado.
Mais do que evitar falhas de comunicação, buscamos construir um ambiente em que seja possível ajustar, aprender e evoluir a partir das interações.
O que nossos dados mostram sobre diversidade, inclusão e respeito?
Os resultados do nosso censo de diversidade e inclusão reforçam esse cenário, evidenciando que o ambiente é amplamente percebido como respeitoso, ético e colaborativo.
De forma consistente, mais de 94% dos respondentes, em diferentes grupos, afirmam perceber a empresa como um ambiente inclusivo, com destaque para:
Pessoas LGBTQIAPN+ (95,9%);
Pessoas com deficiência (95,8%);
Diferentes faixas etárias (95,7%).
No campo das relações interpessoais, os indicadores são ainda mais expressivos:
97,5% reconhecem o respeito da liderança;
96,6% percebem respeito entre colegas;
97,4% avaliam a liderança direta como inclusiva.
Esses resultados reforçam a centralidade das relações humanas na construção de uma cultura organizacional inclusiva.
Mais do que números, esses dados nos ajudam a transformar percepções em direcionamentos concretos, fortalecendo uma cultura construída de forma contínua, intencional e alinhada aos princípios de diversidade e inclusão.
Como reduzir a distância entre intenção e impacto no dia a dia?
Reduzir a distância entre intenção e impacto passa por atitudes simples, mas consistentes:
Verificar o entendimento em vez de presumir;
Cuidar da forma como comunicamos, além do conteúdo;
Praticar a escuta ativa;
Estar aberto(a) a revisitar falas e ajustar rotas;
Considerar o contexto e a perspectiva do outro.
Esses pontos dialogam diretamente com abordagens como a Comunicação Não Violenta, desenvolvida por Marshall Rosenberg, que reforça a importância da clareza, da empatia e da responsabilidade na comunicação.
Comunicação inclusiva fortalece a cultura organizacional
No fim, talvez a principal reflexão seja esta: ter uma boa intenção é importante, mas não é suficiente.
O que fortalece as relações e sustenta uma cultura inclusiva é a capacidade de refletir sobre o impacto gerado, ouvir diferentes perspectivas e ajustar a comunicação sempre que necessário.
É assim que construímos um ambiente em que as pessoas não apenas trabalham juntas, mas se sentem respeitadas, ouvidas e parte do todo.
Para refletir
"No seu dia a dia, você tem considerado apenas a sua intenção ou também o impacto que sua comunicação pode gerar?"
Para quem quiser se aprofundar
Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar — Daniel Kahneman
Comunicação Não Violenta — Marshall Rosenberg
A Vantagem da Diversidade — Scott E. Page
Sobre a autora
Pietra Savian, Analista de Recursos Humanos, atuando na área de Desenvolvimento Humano e Organizacional e como facilitadora do Comitê de Diversidade e Inclusão – Ressignifica da Finch. Formada em Psicologia pela FIB Bauru e pós-graduanda em Psicologia Organizacional e do Trabalho.


